Além da resistência à corrosão necessária na aplicação, é também fundamental conhecer as propriedades mecânicas exigidas para os aços inoxidáveis.
Nesta fase inicial de especificação do inox mais indicado, é necessário um detalhamento técnico das propriedades mecânicas como dureza, limite de escoamento, alongamento, resistência à abrasão e à deformação, entre outras.
Abaixo um exemplo de máquina de Tração e Compressão para o ensaio de materiais.
Neste front de combate deve-se focar em quais vantagens competitivas passam a ser fundamentais, em função de cada especificidade do inimigo:
1 – Se houver necessidade de melhores valores de limite de escoamento e de resistência, com um alongamento mais significativo, é importante evitar-se teores elevados de Carbono pois podem causar fragilidade ao aço, pela presença excessiva de martensita ou de precipitados que podem levar a uma maior fragilidade a frio.
2 – O teor de Níquel favorece a estabilidade da austenita, gerando estas propriedades necessárias, sem causar fragilidade, garantindo-se um alongamento mais alto, a possiblidade de ficar ainda mais resistente sob deformação a frio, e agregar valor ao projeto da peça ou do equipamento pela possibilidade de menores espessuras, e por consequência, de menores pesos.
3 – Em aços inoxidáveis martensíticos o que se deseja são propriedades de corte, resistência à abrasão a úmido e efeitos mola, dentre as mais importantes. A característica de magnetismo do aço é mantida, mas na condição temperada e revenida todas estas características são possíveis. E mantendo-se qualidades superficiais que asseguram brilho e características assépticas do produto acabado.
4 – No caso dos aços inoxidáveis austeníticos estas propriedades mecânicas à temperatura ambiente promovem ou criam a capacidade de deformação a frio, permitindo-se conformações sob estiramento ou embutimento, resultando, por exemplo, em maiores profundidades de peças (em pias e cubas, por exemplo) com afinamentos significativos de espessura, sem ruptura.
Nestes casos, utilizando-se de filmes protetivos, que conferem lubricidade e mantem uma proteção ao acabamento superficial, pode-se obter estas peças com excelente acabamento superficial e por consequência, garantindo-se um brilho adequado da superfície.
5 – Para os aços inoxidáveis ferríticos, que não tem Níquel adicionado em sua composição química, as propriedades mecânicas são mais discretas, mas ainda com bons valores de limite de escoamento, limite de resistência e de alongamento, de forma a que seja possível obter-se peças conformadas a frio de ótimas características superficiais e de adequação ao uso.
6- Em produtos como tubos, redondos, quadrados e sextavados, por exemplo, não há restrições impeditivas de conformação e de soldagem, para os processos tradicionais de soldas, TIG, MIG, Eletrodo revestido, ERW, entre outros. O que se deve evitar no caso de tubos de aços inoxidáveis ferríticos seria um excessivo crescimento de grão, que pode causar fragilidade a frio, e mais pronunciadamente, na presença de significativas quantidades de martensita e carbonetos nos contornos de grão desses aços.
7 – Em aplicações criogênicas o predomínio é total para os aços inoxidáveis austeníticos, com este efeito sendo dependente do teor de Níquel e da microestrutura austenítica destes aços. São capazes de suportar temperaturas tão baixas quanto a do Nitrogênio líquido: – 196°C. Como exemplo, a atual estação brasileira na Antártida foi construída com as versões do aço 304 / 304L.






