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Confira as novidades relacionados ao aço inoxidável no Brasil e no mundo.

A ABINOX – Associação Brasileira do Aço Inoxidável divulga mais uma edição do quadro Papo de Inox, que traz entrevistas e conversas com especialistas de destaque no setor do aço inoxidável.
Nesta edição, o Papo de Inox conversou com a Dra. Zehbour Panossian, uma das maiores referências do país em estudos sobre corrosão e materiais metálicos.
Na entrevista, a pesquisadora compartilha sua visão sobre os principais desafios atuais no campo da corrosão, o papel dos elementos de liga no desempenho do aço inoxidável e as boas práticas de especificação e aplicação do material.
O conteúdo é técnico e aprofundado, refletindo décadas de pesquisa e experiência prática — leitura essencial para engenheiros, pesquisadores e profissionais da cadeia do aço inox.


Papo de Inox: Dra. Zehbour, qual o principal problema relacionado à corrosão atualmente no Brasil e no mundo?

Dra. Zehbour Panossian: No passado, a análise de falhas em aços inoxidáveis frequentemente apontava para erros de fabricação, como tratamento térmico inadequado que tornava o aço suscetível à corrosão. Atualmente, os problemas são mais complexos e envolvem novas aplicações para as quais não há literatura prévia, resultando em falhas por uso inadequado do material.


Papo de Inox: Quais são os principais tipos de corrosão abordados em seus estudos?

Dra. Zehbour Panossian: A corrosão é um tema vasto, mas os principais tipos que observamos são:

Corrosão Generalizada: É rara em aço inoxidável em condições normais. Ocorre quando o aço é exposto a ambientes altamente agressivos, como ácido clorídrico concentrado.

Corrosão por Pite (Corrosão Localizada): Ocorre quando a camada passiva do aço inoxidável (formada pelo cromo) é rompida localmente, especialmente na presença de cloretos. A velocidade de repassivação depende do polimento da superfície; superfícies riscadas são mais suscetíveis.

Corrosão em Frestas: Acontece em espaços confinados onde o oxigênio é consumido rapidamente pela camada passiva do aço, dificultando sua reconstituição e criando uma região sem oxigênio, o que gera a corrosão.

Corrosão sob Tensão (Stress Corrosion Cracking): Ocorre quando o material está sob tensão (mecânica) em um ambiente corrosivo, principalmente na presença de cloretos e em temperaturas elevadas (acima de 60ºC).

Corrosão Intergranular: Está ligada ao tratamento térmico inadequado do aço inoxidável, que pode levar à formação de carbonetos de cromo nos contornos de grão, diminuindo a concentração de cromo nessas regiões e tornando-as suscetíveis à corrosão. Isso era um problema comum no passado, mas hoje é menos frequente devido ao maior conhecimento técnico.

Corrosão por Carbonatação (em concreto): Em ambientes urbanos, o dióxido de carbono reage com o concreto, diminuindo seu pH e expondo a armadura de aço carbono à corrosão. No entanto, próximo ao mar, a umidade constante impede a carbonatação.

Corrosão por Cloretos: A presença de cloretos, como os encontrados na água do mar, pode causar corrosão localizada no aço inoxidável. A concentração de cloreto suportada varia de acordo com o tipo de aço e o pH do ambiente.


Papo de Inox: O que torna o inox um aço tão resistente à corrosão?

Dra. Zehbour Panossian: O aço inoxidável é resistente à corrosão devido à formação de uma “camada passiva”, que é uma fina camada de óxido de cromo na superfície do material. Essa camada é “viva”, o que significa que ela se quebra e se reconstitui continuamente. Para que essa reconstituição ocorra, é necessário oxigênio.


Papo de Inox: Quais elementos de liga são cruciais no aço inoxidável e qual a função de cada um?

Dra. Zehbour Panossian: Os principais elementos são:

Cromo: É o elemento fundamental que garante a inoxidabilidade do aço, formando a camada passiva. A concentração de cromo não deve estar abaixo de 12 a 13%, dependendo do teor de impurezas.

Níquel: É um elemento de liga que transforma a microestrutura do aço em austenítica e aumenta significativamente a resistência à corrosão.

Manganês: Também pode tornar o aço austenítico, mas não confere a mesma resistência à corrosão que o níquel. Infelizmente, aços com baixo teor de níquel e alto teor de manganês podem enganar o comprador, pois não são magnéticos (como os aços da série 300), mas possuem menor resistência à corrosão.

Molibdênio: Presente em aços como o 316, confere excelente resistência à corrosão em ambientes mais agressivos.


Papo de Inox: É verdade que o teste do ímã não é um bom indicador da qualidade do aço inoxidável?

Dra. Zehbour Panossian: Sim, é verdade. O teste do ímã apenas indica se o aço possui propriedades magnéticas, o que está relacionado à sua microestrutura (se é ferrítica ou austenítica), e não necessariamente à sua resistência à corrosão. Aços da série 200, por exemplo, podem ser austeníticos (não magnéticos) devido à adição de manganês, mas não ter a mesma resistência à corrosão que um aço da série 300 com níquel adequado. A escolha do aço correto deve ser baseada na sua composição química e na aplicação final, seguindo normas internacionais.


Papo de Inox: Quais são as diferentes séries de aço inoxidável e para que tipo de aplicação elas são mais indicadas?

Dra. Zehbour Panossian: Existem várias séries de aço inoxidável, cada uma com características específicas:

Série 300 (ex: 304): É um tipo tradicional e muito utilizado. O 304, por exemplo, é adequado para cozinhas industriais, desde que seja limpo regularmente, pois resiste bem à corrosão se não houver acúmulo de substâncias agressivas como cloretos. Em ambientes marinhos, como no Pier Progresso (Colômbia), o 304 foi utilizado e demonstrou durabilidade superior a 100 anos com manutenção mínima.

Série 200: Pode ser usada em algumas aplicações, mas é fundamental que siga normas internacionais com teor adequado de níquel (4%). Aços da série 200 com menor teor de níquel (1% ou 2%) não são adequados para cozinhas devido à baixa resistência à corrosão.

316: Possui molibdênio em sua composição, o que lhe confere maior resistência à corrosão em ambientes mais agressivos. No entanto, para aplicações menos exigentes, como armaduras de concreto que duram mais de 100 anos, o 304 é suficiente, e o uso de 316 seria um gasto desnecessário.

Duplex e Superduplex: São aços com altíssima resistência à corrosão, indicados para ambientes extremamente agressivos.


Papo de Inox: Qual a importância de uma correta especificação e aplicação do aço inoxidável?

Dra. Zehbour Panossian: É crucial especificar e aplicar o aço inoxidável corretamente para evitar perdas e garantir a vida útil esperada do material. O uso de um material inadequado para a aplicação pode resultar em corrosão precoce e prejuízos significativos. O mercado hoje tem maior conhecimento técnico, mas ainda existem casos de materiais com composição inadequada sendo usados incorretamente.

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